“Esses dias passei por uma situação constrangedora. Hoje tudo é homofobia, não se pode fazer nenhuma piada, nada, que é tudo homofobia. Daí numa balada um cara começou a me encarar, queria ficar comigo e pensei como recusar esse cara sem ser acusado de homofóbico. Pensei, pensei, pensei, não arranjei o que falar… ah, acabei ficando com o cara né.”

Baseado nessa piada do Filipinho Neves, um dos finalistas do 3° Campeonato Brasileiro de Stand Up Comedy (Risadaria 2013), adicionado as minha impressões sobre a entrevista no Agora é Tarde (21/05/2013), com a diretora de uma escola pública que tornou-se notícia  por ser uma ‘transmulher’ e por fim tomando um quadro do Furo MTV onde ‘Jesus’ respondia questões sobre homofobia, que vou levantar algumas discussões e questionamentos sobre esse assunto.

Vamos agora a uma rodada de perguntas e respostas!

Então quer dizer que agora pra não ser homofóbico eu sou obrigado a gostar de gays?

Não. Assim como você não é obrigado a gostar de negros, brancos, cadeirantes, evangélicos, espíritas, homens, mulheres e até gostar de você mesmo. Você não gostar de alguém por uma característica ou comportamento que ela tenha e seu direito garantido, assim como qualquer pessoa também não é obrigado a gostar de você. Geralmente quando não gostamos de alguém nos afastamos de tal pessoa. Por exemplo, eu não gosto de pessoas que zoam todo mundo e quando são zoadas se tornam ignorantes. Qual minha atitude? Se afastar simplesmente pelo fato dessa pessoa não agregar nada em minha vida.

Agora você querer intervir, descriminar, agredir, prejudicar, enfim tomar atitudes que tolherão o outro, devido a suas escolhas de qualquer natureza e mesmo por sua essência, nesse momento você estará numa zona de confronto, inclusive intervindo de forma abusiva na liberdade e direitos do outro.

Aí, que que é homopauper pauper não sei o que aí que tem no título?

Como não havia um termo que denominasse ou significasse o ‘coitadismo’ que algumas pessoas praticam em função de alguma condição ou escolha que fizeram, fui buscar no latim algo que trouxesse essa ideia de se fazer de ‘pobrezinho’  uma vez que o termo coitado não satisfaria minha demanda de dar significado a ideia. Basicamente homopaupertismo ou homopaupertia é o ato de se fazer de um pobre coitado em relação a sua orientação sexual e relacionar todo e qualquer evento ou atitude a isso. Exemplificando: José entrou em luta corporal após bater no carro de João. O motivo da briga é a colisão entre os carros. Porém José é homossexual. Caso José tome essa agressão sofrida por conta de sua orientação sexual, isso é homopaupertia.

Um caso que alguns de vocês devem já ter ciência é a relação assassinatos ocorridos em um dia na cidade de São Paulo. Houve uma ‘piada’ ou comentário do @DaniloGentili que dizia mais ou menos que, de X assassinatos em um dia, 10% desse X eram homossexuais, porém a estatística na qual ele se baseou não dizia se os homossexuais foram mortos por serem homossexuais. E, devido as estatísticas ele brincou: ‘alguém poderia comer meu cu só pra garantir’. Os pseudointelectuais como o ex-BBB @jeanwyllys_real que não teve capacidade de alcançar o raciocínio executado sobre estatística, onde justamente estava o embasamento para o punch da piada, já se ofendeu e atacou Danilo. Nesse exemplo observamos o homopaupertismo explícito que é forçar uma situação para alegar que tudo que acontece contra um homossexual é homofobia.

Ah, mas então não existe homofobia?

Lógico que existe!

Por exemplo eu não contratar uma pessoa por ela ser homossexual. O que no passado acometia os negros, mulheres, deficientes, etc. O que é um absurdo, pois se contrata uma pessoa pela sua capacidade em executar as funções que lhe forem atribuídas e para isso existem os currículos, as referências. A atitude da Gretchen em levar a filha Thammy para ser exorcizada por ser homossexual é homofobia. Desqualificar alguém pela orientação sexual dela é homofobia, entre outros exemplos como agressões físicas e verbais etc.

Voltemos agora a entrevista do Agora é Tarde. O que me chamou atenção é que o Danilo Gentili conduziu a entrevista ‘cheio de dedos’ com muito cuidado para não cometer nenhuma gafe uma vez que a comunidade LGBT se mostra hoje muito radical em algumas atitudes, mas não toda ela, como sabemos toda generalização é burra.

Talvez uma solução para toda essa falta de humanidade que estraçalha as relações interpessoais, seja a própria busca por mais humanidade. Antes de ser gay, hétero, branco, índio, deficiente… antes de qualquer predicado que nos é colocado, antes de qualquer coisa somos seres humanos e cidadãos e isso sim que deve servir como premissa para a busca da verdadeira essência do outro a presença ou falta de humanidade. O resto, bom o resto deveria servir somente como adorno e floreio.

E o omo progress, está fazendo o que no título? Bom, basicamente é mais uma vez um ‘toque’ que eu dou a você leitor. Reflita um pouco só, quem tem respeito em um mundo capitalista? O que sai as ruas gritando e esperneando que quer respeito, ou aquele que adquire poder de compra?

E apenas dando um ‘escapadela’ para uma visão política. Porque os partidos ditos representantes do proletariado, quando sobem ao poder se tornam totalmente patronalistas?

Independentemente de credo, raça, orientação sexual, gosto musical, nível de escolaridade, opção por esportes, ser usuário ou não de drogas, ter uma conduta correta em relação ao próximo, entre outras várias coisas, independentemente de tudo isso, no capitalismo você é qualificado por poder comprar o OMO PROGRESS ou a marca genérica do supermercado.

Se quiser, deixe um comentário para enriquecer essa discussão, valeu!

EXTRA: MAIS SENSO DE HUMANIDADE AOS SERES HUMANOS